quinta-feira, fevereiro 23, 2017

Carvalhas Memories – memória do século XIX

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Retrato de Sebastião José de Carvalho e Melo como reconstrutor da cidade de Lisboa, quadro da autoria de Louis-Michel van Loo.
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Há anos memoráveis e outros apenas uma fina camada de pó. Não fiz levantamento do que se foi passando ao longo dos séculos. Detenho-me em 1867 por ser dessa data o tronco do Vinho do Porto que assinala os 260 anos da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro – mais tarde ganhou a alcunha de Real Companhia Velha.
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Indaguei e descobri – benditos Wikipédia, estudos, livros e memória – alguns factos interessantes acerca de 1867. Deixei de lado nascimentos e falecimentos, memórias pouco relevantes, e escolhi eventos significativos.
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Início das obras de canalização do Senne em Bruxelas.
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–  Apesar de ter sido quarta-feira, o dia 13 de Fevereiro assinala um evento tão idiota que representa mil sextas-feiras 13! Os belgas começaram a fechar o Senne, para traçarem avenidas. Já depois da segunda metade do século XX algumas canalizações desactivadas foram convertidas em rodovias subterrâneas.
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Possivelmente a valsa mais conhecida do mundo.
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– Por falar em rios, dois dias depois estreou-se a valsa «Danúbio Azul», de Johann Strauss, na Exposição Internacional de Paris – por onde passa o Sena, não confundir com o Senne.
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Um atalho enorme.
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– Mais dois dias e passou o primeiro navio pelo Canal de Suez.
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– A 1 de Março, o Nebrasca passou a fazer parte dos Estados Unidos da América.
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Libreto de Joseph Méry e Camille du Locle.
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– A 11 de Março, em Paris, estreou-se a ópera «Dom Carlos», de Giuseppe Verdi.
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Um continente em transformação.
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– A 23 de Março, o Imperador Napoleão III comprou a Guilherme III dos Países Baixos a parte que a Neerlândia detinha no antigo Grão-Ducado do Luxemburgo – para ser rigoroso, o território pertencia ao Rei e não ao Reino. Note-se que uma parte já se separara e fora integrada na Bélgica, durante a Revolução Belga (1830-1839). Aquisição por França derivou em guerra com o Reino da Prússia, que durou sete semanas e findou com o Tratado de Londres, assinado a 11 de Maio.
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– A 27 de Março, com a assinatura o tratado de paz entre o Brasil e a Bolívia, fixaram-se as fronteiras nos rios Beni e Mamoré. A região de Acre ficou para os bolivianos, mas em 1903 passaria a integrar o território brasileiro.
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– O Canadá foi constituído a 29 de Março, juntando Ontário, Nova Escócia, Novo Brunswick e Quebeque.
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– Alfred Nobel patenteou a dinamite a 7 de Maio.
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– A 20 de Junho, Andrew Johnson, presidente dos Estados Unidos da América, comprou o Alasca a Alexandre II, imperador da Rússia.
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Império Austro-Húngaro.
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– A história da Alemanha – dos países germânicos e mais alguns – é complexa. O Sacro Império Romano-Germânico existiu durante 844 anos, findando em 1806. Dois anos antes de ser dissolvido foi criado o Império Austríaco, cuja designação se prolongou até 1867. No espírito nacionalista, o Reino da Hungria exigiu um estatuto superior, equiparando-se à Áustria. Assim, a 28 de Junho foi constituído o Império Austro-Húngaro, que colapsou em 1918, na sequência da Primeira Guerra Mundial.
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– O Canadá torna-se independente, no seio do Império Britânico, a 1 de Julho.
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Confederação da Alemanha do Norte.
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– Nesse mesmo dia foi constituída a Confederação da Alemanha do Norte.
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– O melhor momento do ano, em Portugal, foi a abolição da pena de morte, a 1 de Julho. A última execução aconteceu em 1845, quando José Maria, de alcunha «O Calças», foi enforcado em Chaves.
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Um livro que mudou a história.
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– A 14 de Setembro foi publicado o primeiro volume de «O Capital», de Karl Marx.
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Garibaldi, um herói da unificação de Itália.
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– O século XIX ficou marcado pelo Romantismo, que além de literário foi político. Nasceram diversos Estados baseados em conceito de nação. Um deles foi Itália, um processo de unificação que deixou apenas de fora a Cidade do Vaticano e a República de São Marino. A 27 de Outubro, o nacionalista Giuseppe Garibaldi marchou para Roma, mas a cidade só foi tomada em 1870.
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Teresa Raquin, um marco literário.
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– O século XIX não ficou marcado apenas pelo Romantismo. Oposto, o Realismo vincou as artes. Não tendo conseguido apurar as datas precisas, neste ano foi publicado o romance «Teresa Raquin», de Émile Zola, considerado como origem do Naturalismo, subcorrente sublimada do Realismo.
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E quanto ao vinho?
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O que se pode dizer dum vinho com 150 anos? Qualquer coisa será demenos e qualquer coisa será demais. Podem verter-se adjectivos, mas serão sempre substantivos. Não escrever nada, é nada.
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Valerá a pena contar se uma pequena elite o poderá provar? Bem, há a história, a estética, a gula e a inveja. Apenas 260 garrafas de tawny muito velho, cujo lote é 93% de 1867 e 7% de 1900.
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Rei Dom Luís reinava em 1867, pintura de autor não identificado.
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Rei Dom Carlos reinava em 1900, pintura de Alfredo Roque Gameiro.
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Os vinhos são como as pessoas: uns evoluem e outros não. Se há gente boa que falece jovem e canalhas idosos, no vinho só os melhores vivem longamente.
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Descrever um vinho destes é indiferente. Tem tudo o que um tawny velho deve ter, que um racho de pessoas identifica e outras tantas inventam. Não, não estou a dizer que os aloirados velhos são todos iguais. Têm diferentes intensidades e nuances nas sensações, sendo excelentes, a apreciação vai de boca.
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quarta-feira, fevereiro 22, 2017

Sala de exposições

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Um dia, onde a luz e o silêncio falam que é uma sala de exposições, pensei e não me lembrei. Aconteceu agora, por uma nuvem passado pela fronte interna ma ter trazido, como fosse a materialização da memória de navio-fantasma.
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Se estiver vazia, tenho a sala como noutro sítio, separada do mundo. Aí não sou o mesmo ou talvez cá fora seja a minha mentira.
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Aí, um papel vincado por lápis 4H, tingido por fraca tinta de aguarela, é alguma coisa, ainda que a legenda diga vermelhão e não passe de avermelhado.
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O tempo vivível na sala de exposições não obedece aos minutos, tal como a velocidade dos aviões é medida como se a viagem fosse por terra. O espírito quase desencarna e há uma embriaguez de clarividência ou de ocultação.
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Se puder ter a liberdade da solidão, o vazio é o interior duma grande esfera oca de gravidade zero. Nesse tempo nunca há fraude.
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O drama e o riso ficam entre mim e as obras e nem o autor o saberá. Acreditará que a frágil coloração esconde o vinco da grafite?
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Um dia numa sala de exposições, podia ser outro.

Pokker

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Só sendo seu dono é possível jogar o destino. Fi-lo com a Morte e perdi. Antes de lho entregar, apostei-o com o Diabo, perdi. Naturalmente zangados por enganados, condenaram-me a ficar com ele.

Barca Velha 2008 – uma obra de arte

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O que se pode dizer dum Barca Velha é proporcional ao que pode ficar por dizer. É certamente o vinho português, como um todo, mais documentado e comentado. Cada um fala por si e…
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O Barca Velha 2008 é o mais recente. Quanto a mim, está acima de irmãos. O tempo dirá. Aqui, o tempo é determinante. É que a declaração só acontece quando se perspectiva uma longevidade fora do comum, além da exigida ao um Ferreirinha Reserva Especial – também ele com vida prolongada.
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No total, foram declarados 18 Barca Velha – sendo que existe uma garrafa de 1955, ano de que não existe documentação, que não foi nem rejeitada nem confirmada pela Sogrape. A raridade, a longevidade e o momento em que os bebi, sendo que nem todos tive oportunidade de saborear, não me permitem colocar numa escala que os classifique por uma ordem. Portanto, quando escrevi que este está acima de irmãos fiz qualquer coisa de insustentável do ponto de vista da argumetação.
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Luís Sottomayor é quem assinou, por último, o encargo de declarar Barca Velha. Pelo que me disseram, é um trabalho colectivo, mas cuja sentença é tarefa solitária. Possivelmente, poder assinar um vinho destes deve pesar, mas também é um privilégio e prazer.
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O Barca Velha 2008 fez-se com touriga franca (50%), touriga nacional (30%), tinta roriz (10%) e tinto cão (10%). Foi-me servido no maior copo de vinho que alguma vez levei à boca, eram talvez 21h00. Contou o escanção que fora aberto às 13h00 e decantado, com algum vigor, por duas vezes. Pois, ao conhecê-lo mostrou-se ainda contido… levou tempo a ver-se.
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A complexidade deste vinho retrata-se também através da evolução temporal. Os descritores iniciais, mais próximos da fruta, avançaram para as especiarias e diferentes madeiras. Vale a pena continuar? Certamente, a lista seria fastidiosa e, sabe-se, que as bocas e narizes têm diferentes memórias e sensibilidades… e o Barca Velha bebe-se quando se pode e deve, seja agora ou daqui por 30 anos. Venham eles e venham mais.

terça-feira, fevereiro 21, 2017

Letra T

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Não sei se este livro, da autoria de Pavel Klushantsev, está traduzido para português. Traduzindo a partir do Google, o título em russo é «O que disse o telescópio» e em inglês saiu como «All about the telescope», ou seja «Tudo acerca do telescópio». As ilustrações são de E. Voishvillo, B. Kalaushin e B. Starodubtsev. O grafismo é de Y. Kiselyov.
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segunda-feira, fevereiro 20, 2017

Todos os dias

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Nem todos os dias será hoje nem sempre é para sempre
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Já se inventou tudo e ainda o vazio que se agarra ao coração-cabeça, tenho-o nas mãos e sem o poderem segurar, e seguram.
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Já se inventou tudo, infelizmente, e infelizmente não o fim, nem o fim apenas para mim.
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Sem fim e sem dias, os meus, sem futuro, virão pesados.
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Não temo a loucura nem receio o abismo dos nervos. Este vómito do coração-cabeça é o oitavo passageiro, a crise de mil-novecentos-e-vinte-e-nove, o monstro de Mary Shelley, o lobisomem do caminho entre a aldeia e a cidade, a cabra velha medieval e os deuses dos castigos.
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Sei da sua surdez como não ser mudo, as suas orelhas ouvem como se as minhas palavras passassem noutra rua.
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Cortinas pesadas de veludo teatral espaldam o drama, ocultando a pulsão trágica.
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O coração-cabeça sorve-me como o mendigo a sopa numa noite de caridade.
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Se ninguém é recluso, se depois dos muros há uma cidade livre, se vivem próximos, estou de sentido, imóvel como a estátua na praça deserta, no lado de fora.
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Não, não é tragédia. Não, é o meu drama, comédia para alguém. Visto de longe, sou patético como se bradasse verdades na ágora, vestindo ceroilas e na cabeça o elmo de Quixote.
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A maior parte de mim é remorso.
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O remorso é pior do que a saudade e diferente o arrependimento, um alívio. Cada suspiro de remorso é um fantasma num lugar a preto e branco. O remorso é não ter as vítimas para lhes dizer do arrependimento.
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O sangue do coração-cabeça é a septicémia do coração-cabeça-estômago-fígado-pulmão, é castanho e amarelo, fervendo de frio, a vida acabada no corpo teimoso.
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Tanto faz diante dos cegos e dos surdos.
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Sou invisível, sou mudo, sou fantasma, tanto faz que urine contra o vento.
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Além há um rio de rosas.

sexta-feira, fevereiro 17, 2017

Solidão com gato

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Há muita solidão quando apenas um gato para ser ou dois ou três, como o vidro-martelado, das janelas das traseiras, sob a chuva numa casa sem voz.
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Não importa se há vista ou saguão, nem mesmo a disposição de abrir as portadas. A solidão é e não as gotas e o tudo-o-mais.
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Há dias de luz perene, como a árvore, não fenece até ao findamento, sabe-se da sua morte, quase o momento, sente-se e é noite ou tronco oco.
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O relógio-de-pêndulo repete como o dizer dos velhos e tal é cruamente, o compasso é deixado a levitar.
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Ah, o gato. Sob coberta quente, os olhos são a nostalgia e o gato quieto caça os fantasmas.
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Nota: Este desenho tem por título «Solidão com um gato». Não sendo, assim, uma frase só minha, surgiu-me esta imagem quando pesquisei o complemento para a minha ideia.

quinta-feira, fevereiro 16, 2017

As gomas

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Negros são os dias dentro como as gomas pretas quase azedas e de carvão. Fora de mim é escarlate, cobalto e amarelo-verde-citrão, a Primavera da infância, a primeira vez na casa dos espelhos da feira popular e o primeiro sexo. Antes de nascer prometi-me na alegria, acreditei tanto depois de deixar o ventre, sem passado nem futuro vivi esquecido de ontem e amanhã. Pois carrego as ilusões, recusando-me a claridade. Não é sina, estupidez.

quarta-feira, fevereiro 15, 2017

Mágoas

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Não posso atravessar as lágrimas nem entrar pelo espelho nem abraçar toda a gente e tanto acreditava ser amigo de todos, não fossem os meus enganos-maus-tratos, as impaciências intransigentes para as minhas loucuras, e ainda creio, além de nu de amor-próprio.

terça-feira, fevereiro 14, 2017

Chuinga

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Soprando, a chuinga faz-se balão. Mastiga-se e a saliva faz libertar o sabor químico concentrado que sabe a essência sintética de morango ou a o que se desejar e haja para comprar. Os miúdos vão à escola por alguma razão. Contudo, nada responde com verdade às elementaridades da vida, a essas e às seguintes depois das primordiais e metafísicas, velhas como o céu e o pau incendiado e a roda.
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Nasceu pobre. Não fez fortuna nem o tentou, quis ser rico por sorte. Viveu amargurado com as contas e os desejos, viu os dias passarem, a vida a gastar-se, perdendo amigos, ganhando tristezas, vencendo coisas pequenas, iludindo-se sem se convencer, mentiu e mentiu-se, envelheceu desvalido, babando-se e comendo papas por não ter dentes. Morreu só e não deixou nada.
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Em contrapartida, os cães não querem luxos e os gatos fazem o que lhes apetece. As árvores dão fruta e sombra. A Terra sustenta as necessidades.
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Aqui as pessoas desejam vidas sem vida e noutros lugares tentam sobreviver. As tardes gastam-se em supermercados ou a procurar água. A algibeira não facilita diversões incomuns e outros nem têm do que comer.
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Do lado ao outro existe uma esfera ou um cubo ou um cone ou uma pirâmide ou uma linha ou um ponto ou ar ou o elemento que se tiver ou inventar ou uma gaveta ou tudo ou nada e a cor ou os tons ou o branco ou o negro ou o infravermelho ou o ultravioleta ou o raio-x ou o nada e o som ou o silêncio ou a mudez ou a surdez ou a vontade de não ouvir ou o vácuo ou o nada e onde se está só ou a dois contando com o próprio a dobrar ou a dois ou a três ou outro número ou nada.
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Nesse lugar ou povoação ou universo ou estado fica a arte ou que se quiser, superando a vida, eternizando a memória, muito depois dos nomes serem pó, e isso não importa nada.
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Nada importa nada.

Aquela conversa importante


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– Disseste-lhe?
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– Disse.
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– Ouviu?
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– Ouviu.
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– O que te respondeu?
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– Nada.
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– Como nada?
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– Não disse nada.
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– Mas porquê? Não entendo…
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– Talvez não me tenha ouvido…
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– Como assim?
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– Talvez não lhe tenha dito…
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– Diante dele vacilaste, foi o que foi.
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– Talvez não diante dele.

sexta-feira, fevereiro 10, 2017

Canção-de-água /// e roubei um barco ao Cesariny

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Num navio-de-espelhos para o horizonte como geringonça de teatro. Só é drama de silêncio. Se olhos invisíveis vêem, calam-se no tempo íntimo.
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O navio-de-espelhos voga em canção-de-água e vagarosamente corta o chão, enleado na monotonia do coro de sereias. As fábulas inventam-se e são absolutas no tempo sem horas.
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O navio-de-espelhos parece ir, mas não vai. A água de sal e escuridão é tragédia de teatro, o vento sopra-se numa coisa acornetada.
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Na escuridão sem velas, nem luz nem viagem, parado esperando ir e qualquer coisa.
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Quando não me vejo, não estou e se não estou posso não ser. Falo alto e oiço-me, neste chão de madeira e mar. Nada me garante que seja eu.
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Nota: «Navio de espelhos» é um poema de Mário Cesariny. Este meu poema não tem qualquer ligação consciente ao de Cesariny. No entanto, a imagem desse navio insistiu em aparecer-me durante toda a escrita.

Aver

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Era tão pobre que ao seu único haver faltava o agá.

quarta-feira, fevereiro 08, 2017

Palavra e silêncio

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Desde que poupo vírgulas e palavras sou muito mais. Provavelmente também.

Isso dito amor

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Quem ama consciente ama inconsciente.
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Quando se abre a porta e não se deixa beijar, por que abrem a porta?
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Quando acordo e ainda estou, por que não fui?
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Quando acordo e ainda está, por que não fui?
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Quando a cama é derrota depois da vitória, é inconsciente quem ama.
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Por vezes, ir é ficar e também.

Repouso

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Silêncio por nada se da morte. Da vida por nada também.

Buraco no tronco de árvore

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Os olhos vêem e quase só vemos o que a certeza vê. Se disto a certeza souber seremos algures vendo o que a criança vê. Se cabeça-coração-fígado-pulmão quiser, o tempo é difícil não ficar.

Premonição posterior

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Escrevi tanto, quase nada sei das minhas palavras e da vida que jurei conhecer. Houve amor e tragédia, doença e fuga, chegada antes da partida e principalmente eterno no lugar.
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Não me ouvem porque tanto disse e falei além. Tudo isso somado é a voz frágil do homem-invisível.
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Não sei o que disse, por memória e pertinência. Uma bola na inclinação, que os velhos não chegam, e o ácido que os miúdos recusam.
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Maré-cheia e maré-viva, chuva na água.


E não as deixeis cair em tentações

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Escrevi tantos versos mas com eles não colhi camas, só encanto e ingratidão.
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As mulheres não querem poetas, têm medo de tapetes voadores.
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Preferem silêncios estagnados ao vermelhão.
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A lei da gravidade do momento

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Saltar não é azar. Azar é cair. Também se cai saltando e aonde é ficar ou mudar. A morte não empurra e consciência muda.

terça-feira, fevereiro 07, 2017

Três perguntas essenciais

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Se sou fantasma por que não te arrepio? Se não me vês por que não te desnudas? Se não te puder ter por que não te entendo?

Pássaros

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Se fosse um beija-flor e me segurasse no ar, tirando da corola dos teus seios doces, seria sonhando ser majestade como a águia, ousado como o corvo e manso como o pombo. Se pudesse ainda, seria feliz saltando como o pardal.

Cama

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Quando se colhe da árvore de fruta é-se fogo. À sua sombra saboreia-se longamente o suco e a polpa. Enfim cansado se adormece.